

Entre o Papel e a Pele – Fazenda Salto Grande II
Entre o Papel e a Pele – Fazenda Salto Grande, 2025
Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono
28 x 22 cm
- Descrição
- Informação adicional
- Avaliações (0)
Descrição
Entre o Papel e a Pele – Fazenda Salto GrandeII, 2025
Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono
28 x 22 cm
Acessibilidade
Texto Descritivo da Obra
O desenho em preto e branco (28 x 22 cm, textura granulada, feito por ablação do papel carbono) apresenta uma vista frontal e imponente da Casa-Grande da Fazenda Salto Grande. A construção é um sobrado colonial de dois andares, com janelas simétricas no pavimento superior e extensões laterais de telhado mais baixo. A arquitetura é representada em linhas claras, contrastando fortemente com o fundo escuro e a atmosfera noturna.
Intervenções Manuscritas (Poesia de Castro Alves) e Elementos Gráficos:
A imagem está densamente coberta por diversas estrofes de poesia, sobrepostas à arquitetura:
- Centro: No térreo, logo abaixo das janelas, lê-se em destaque o título “OS ESCRAVOS – LIVRO I”.
- Abaixo da Casa-Grande: O texto mais longo, no primeiro plano, começa com a estrofe “«Ó’ minha mãe! ó martyr africana, / Que morreste de dor no cativeiro / Ai! sem quebrar aquella jura insana…” e termina com a exortação “Vamos, Maria! Cumpra-se o destino… / Dize! dize-me o nome do assassino! »”.
- Na Fachada e Laterais: Outras estrofes e frases cobrem a superfície da casa, incluindo partes da poesia vista em outras obras da série, como “Virgem das Dores…” (na fachada) e “Pois que seja! Debalde pedi-te…” (no canto superior direito).
Conceito
A série Entre o Papel e a Pele – Fazendas é uma profunda meditação sobre os vestígios da escravidão, uma vez que a obra traz à tona a memória histórica da região de Campinas (SP), utilizando como suporte a imagem de antigas fazendas escravocratas.
O projeto tem como ponto de partida a Fazenda Salto Grande, situada em Americana (SP), expandindo-se para outras fazendas significativas da região, como a Fazenda Galvão (Santa Bárbara d’Oeste, SP), Fazenda da Barra (Jaguariúna, SP) e Fazenda Santa Maria (Indaiatuba, SP). Todas essas estruturas integraram um sistema de desumanização sistemática de pessoas negras.
A artista estabelece um diálogo tenso e eloquente ao sobrepor a frieza arquitetônica da Casa-Grande à potência da poesia abolicionista de Castro Alves (1847-1871), o imortal “Poeta dos Escravos”. As frases, arrancadas do Condoreirismo inflamado, agem como uma voz indignada, transformando a paisagem em um monumento de protesto e memória da dor.
A técnica empregada – a ablação do papel carbono – é fundamental para a poética da obra. Neste processo conceitual, a imagem não é edificada pela adição, mas pela remoção do pigmento, revelando as estruturas das fazendas, por meio da luz que irrompe no carbono. Esta metodologia atua como uma metáfora visceral para o esforço de arrancar a verdade da escuridão do esquecimento e do trauma histórico que o Brasil tenta silenciar.
O título, Entre o Papel e a Pele, condensa a dualidade central da obra: o registro material (“Papel”) confrontando a experiência e o corpo (“Pele”). Ao trazer luz para o papel carbono, a artista transforma a técnica em um ato de reparação e denúncia. A série força o observador a questionar se o “destino” de opressão imposto pela escravidão pode ser considerado findo ou se ele persiste, de forma latente e estrutural, na identidade e na desigualdade da nação contemporânea.
Série
A série Entre o Papel e a Pele – Fazendas
Informação adicional
| Peso | 0,3 kg |
|---|---|
| Dimensões | 14 × 11 cm |
| Ano | 2025 |
| Técnica | Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono |








Avaliações
Não há avaliações ainda.