Entre o Papel e a Pele – Maria, mãe de Maria

Entre o Papel e a Pele – Maria, mãe de Maria, 2025

Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono

28 x 22 cm

Disponibilidade: 1 em estoque SKU: FD9 Categoria: Tag:

Descrição

Entre o Papel e a Pele – Maria, mãe de Maria, 2025

Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono

28 x 22 cm

Acessibilidade

Texto Descritivo da Obra

O desenho em preto e branco, tamanho 28 x 22 cm, feito pela técnica de ablação do papel carbono que resulta em uma textura granulada, é um retrato de close-up de uma mulher negra, com o rosto em uma perspectiva frontal e centralizada.

A mulher possui uma expressão de forte angústia e determinação, evidenciada pelas sobrancelhas franzidas e pelas linhas de tensão visíveis na testa. O cabelo é volumoso e crespo, desenhado com linhas finas e claras que circundam o rosto como uma aura. A luz intensa emerge da escuridão do papel, destacando os contornos da testa, nariz, e a boca. Seus lábios são proeminentes, com textura marcada por linhas finas e brancas, e seus olhos estão fixos no observador com uma expressão confrontadora.

Conceito

Série

Entre o Papel e a Pele – Pessoas Escravizadas

A série Entre o Papel e a Pele – Pessoas Escravizadas baseia-se em inventários coloniais que registraram pessoas unicamente como propriedade. Os nomes e origens das pessoas escravizadas foram retirados diretamente (segundo a pesquisa emUma história entre rios, 2023) dos documentos de partilha e posse, subvertendo o registro frio da época.

Emergindo dessa superfície, ganham rosto e dignidade indivíduos concretos: Bartholomeu (de origem Muhumbo), sua esposa Maria (de origem Cabinda) e a filha, também Maria, nascida no Brasil, cuja história de separação em 1812 na Fazenda Salto Grande, durante uma partilha de herança, é o ponto de partida documental. O trabalho resgata a humanidade de outras figuras, como Benedicta, Antoninho e Gerônimo, recusando o anonimato imposto.

O título, Entre o Papel e a Pele, condensa a missão da série: evocar a passagem do registro frio (o inventário no papel) ao corpo vívido (a pele), da marca de posse ao afeto e, fundamentalmente, da ausência à dignidade. O carbono, enquanto símbolo de traços enraizados e quase invisíveis do trauma, é aqui rompido para revelar o que se tentou apagar: a essência humana e a resistência.

Ao unir a denúncia do espaço físico da opressão (Fazendas) à restauração do rosto individual (pessoas escravizadas), a obra convida à escuta, à memória e à reflexão sobre as cicatrizes da escravidão que persistem no tecido social e individual do Brasil contemporâneo.

Informação adicional

Peso 0,3 kg
Dimensões 29 × 23 × 2 cm
Ano

2025

Técnica

Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono

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