

Entre o Papel e a Pele – Fazenda Salto Grande
Fazenda Salto Grande, 2025
Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono
60 x 42 cm
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Descrição
Entre o Papel e a Pele –Fazenda Salto Grande, 2025
Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono
60 x 42 cm
Acessibilidade
Texto Descritivo da Obra
O desenho em preto e branco, tamanho 60 x 42 cm, com textura granulada (técnica de ablação do papel carbono), apresenta a vista frontal e simétrica de um casarão colonial de dois andares (Casa-Grande), com seis janelas no andar superior e cinco janelas e uma porta central no térreo. A casa possui um telhado de quatro águas e está ladeada à esquerda por uma palmeira ou árvore frondosa.
A imagem é coberta por inscrições que denunciam a escravidão (poesia de Castro Alves). No centro, lê-se o título “OS ESCRAVOS – LIVRO I”. Acima da fachada, no canto superior direito, lê-se: “Teu filho vae vingar um povo inteiro! / Vamos, Maria! Cumpra-se o destino… / Dize! dize-me o nome do assassino! »”. No canto inferior esquerdo, sobre o gramado, começa a estrofe: “Ó’ minha mãe! ó martyr africana, / Que morreste de dor no cativeiro / Ai! sem quebrar aquella jura insana,”.
Conceito
A série Entre o Papel e a Pele – Fazendas é uma profunda meditação sobre os vestígios da escravidão, uma vez que a obra traz à tona a memória histórica da região de Campinas (SP), utilizando como suporte a imagem de antigas fazendas escravocratas.
O projeto tem como ponto de partida a Fazenda Salto Grande, situada em Americana (SP), expandindo-se para outras fazendas significativas da região, como a Fazenda Galvão (Santa Bárbara d’Oeste, SP), Fazenda da Barra (Jaguariúna, SP) e Fazenda Santa Maria (Indaiatuba, SP). Todas essas estruturas integraram um sistema de desumanização sistemática de pessoas negras.
A artista estabelece um diálogo tenso e eloquente ao sobrepor a frieza arquitetônica da Casa-Grande à potência da poesia abolicionista de Castro Alves (1847-1871), o imortal “Poeta dos Escravos”. As frases, arrancadas do Condoreirismo inflamado, agem como uma voz indignada, transformando a paisagem em um monumento de protesto e memória da dor.
A técnica empregada – a ablação do papel carbono – é fundamental para a poética da obra. Neste processo conceitual, a imagem não é edificada pela adição, mas pela remoção do pigmento, revelando as estruturas das fazendas, por meio da luz que irrompe no carbono. Esta metodologia atua como uma metáfora visceral para o esforço de arrancar a verdade da escuridão do esquecimento e do trauma histórico que o Brasil tenta silenciar.
O título, Entre o Papel e a Pele, condensa a dualidade central da obra: o registro material (“Papel”) confrontando a experiência e o corpo (“Pele”). Ao trazer luz para o papel carbono, a artista transforma a técnica em um ato de reparação e denúncia. A série força o observador a questionar se o “destino” de opressão imposto pela escravidão pode ser considerado findo ou se ele persiste, de forma latente e estrutural, na identidade e na desigualdade da nação contemporânea.
Série
A série Entre o Papel e a Pele – Fazendas
Informação adicional
| Peso | 0,3 kg |
|---|---|
| Dimensões | 62 × 44 × 2 cm |
| Ano | 2025 |
| Técnica | Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono |








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