A escultura “Al(r)ma Branca” é um manifesto contra a branquitude que se arroga o direito de “pintar” ou redefinir a identidade negra.
A obra critica a violência que se manifesta em gestos extremos e em frases sutis, mas perversas, como “preto de alma branca”. A artista expõe a hipocrisia de um racismo que só tolera a pessoa negra quando ela se desvia de sua cor, assumindo uma suposta pureza moral associada, de forma falaciosa, à brancura.
O jogo de palavras no título é a essência da crítica, “Alma Branca” questiona a presunção de que o bom caráter e a virtude são inerentes à branquitude, “Arma Branca” simboliza o apagamento e a arma de agressão usada para impor a hegemonia. A tinta branca não é apenas cor, mas a substância da dominação, que insiste em cobrir a cor negra para evitar o confronto com o racismo estrutural.
“Al(r)ma Branca” exige que a branquitude olhe para a sua própria história e desfaça o mito da inocência. É uma obra que força a reflexão: a alma não tem cor, mas o racismo sim.
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