A obra “Expresso” é um ato de denúncia que funde a técnica artística com o próprio objeto da crítica. O uso do café como pigmento não é um acidente; ele impregna a tela com o cheiro e a história amarga da produção e da exploração no Brasil, historicamente construída sobre o trabalho forçado e, subsequentemente, precarizado, da população negra.
A imagem da mão negra sendo moída pelo moedor de café é uma metáfora devastadora para o racismo estrutural. Ela representa a máquina do capitalismo que consome o corpo e a vida, preponderantemente, da pessoa negra, para gerar lucro e riqueza para a elite. O corpo não é apenas explorado; ele é triturado e reduzido a matéria-prima.
O título “Expresso” evoca a velocidade e a brutalidade desse processo: a mão de obra negra é moída aceleradamente para atender à demanda da sociedade.
“Expresso” nos força a encarar o amargo que realmente está por trás do prazer e do conforto na nossa economia.
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