“Sob o Papel da Pele” é uma obra que utiliza a aquarela de café sobre papiro egípcio para traçar uma linhagem direta entre a história da escravidão e a exploração do trabalho contemporâneo.
A escolha do papiro evoca a antiguidade africana e a memória ancestral, enquanto o café como pigmento remete àcommodity global construída historicamente sobre o trabalho forçado no Brasil.
A mão em destaque é a mão da pessoa negra trabalhadora, simbolizando o corpo negro que, mesmo após o fim da escravidão, continua a ser explorado e consumido pela lógica do sistema. As marcas na pele são o registro da violência e da precarização persistente.
O título sugere que a pele não é apenas uma superfície, mas um relato biográfico do indivíduo em sua sociedade. A obra força o observador a confrontar o amargo legado que está gravado sob a “pele” da pessoa negra, provando que esta história de exploração se estende, sem interrupção, até os dias atuais.
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