Reparação (Díptico)

Reparação (Díptico), 2025

Objeto Artístico – Obra Interativa
Peça 1:Palmares – 35 × 20 × 10 cm
Peça 2:Ubuntu15 × 10 ×10 cm

Disponibilidade: 1 em estoque SKU: FD13 Categoria: Tag:

Descrição

Reparação (Díptico), 2025

Objeto Artístico – Obra Interativa
Peça 1:Palmares – 35 × 20 × 10 cm
Peça 2:Ubuntu15 × 10 ×10 cm

Acessibilidade

Texto Descritivo da Obra

A obra é um Objeto Artístico Interativo e Modelo Tátil composto por duas peças interdependentes, “Palmares” (Caixa de MDF com grafite, 35 × 20 × 10 cm) e “Ubuntu” (Lenço em TNT preto umedecido).

Peça 1: Palmares (A Revelação da Memória)

A peça é uma caixa escura e sólida de MDF, pintada com spray grafite, que funciona como um repositório da história. Ao ser manuseada, o grafite (metáfora da “poeira da história”) adere inevitavelmente às mãos. Dentro da caixa, o participante encontra retratos feitos em papel carbono (como o da Escrava Maria ou Gerônimo), que são invisíveis na escuridão. A imagem só é revelada quando o papel é posicionado contra a luz, obrigando o observador a um ato ativo de busca e reconhecimento para restituir a dignidade e a história oculta da pessoa retratada. A mancha de grafite nas mãos é um lembrete físico do legado histórico que permanece grudado à pele de todos.

Peça 2: Ubuntu (O Confronto com a Ação)

A segunda peça é um lenço umedecido, embalado em uma caixa transparente. O objeto, tradicionalmente usado para “limpar” as mãos, aqui subverte sua função, pois não oferece absolvição ou permite que o observador se desfaça da mancha do grafite. A peça, cujo título remete à filosofia “Eu sou porque nós somos”, torna-se um espelho da consciência e um chamado direto à ação e ao engajamento, lembrando que a verdadeira reparação exige um compromisso contínuo e que “a inação também é uma forma de intervenção”.

Conceito

“Reparação” (Díptico) propõe uma experiência sensorial e simbólica sobre memória, responsabilidade e consciência coletiva. Composto por duas peças interdependentes – Palmares e Ubuntu – o trabalho convida o espectador a participar ativamente de um processo de reconhecimento, revelação e compromisso ético diante da história e das feridas ainda abertas do racismo estrutural.

“Palmares” é uma obra de arte-objeto que transcende a contemplação passiva, transformando o observador em cúmplice e agente da memória. A peça, uma caixa de MDF pintada com spray grafite, é um repositório intencional de uma história que a sociedade, ativamente e muitas vezes de forma descarada, tentou silenciar.

O ato de manusear a caixa é o primeiro passo da experiência. O grafite – metáfora da poeira da história de escravidão e preconceito – adere inevitavelmente às mãos de quem a toca. Esse vestígio materializa as cicatrizes de um legado histórico que, mesmo invisível para alguns, permanece grudado à pele de todos, marcando a persistência da opressão.

Dentro da caixa, à espera do observador, estão vários retratos feitos em papel carbono — imagens ainda invisíveis aos olhos. A invisibilidade do retrato (até que a luz o toque) ecoa a invisibilidade da pessoa preta em uma sociedade que, majoritária e insistentemente, a rejeita.

A verdade só emerge por um ato de busca ativa: o observador deve posicionar o papel contra a luz. Somente então a imagem é revelada, restituindo sua dignidade, sua identidade e sua história. A luz aqui é o feixe de reconhecimento e justiça necessário para que a história oculta da população negra possa ser plenamente vista.

Ao final da experiência, a mancha nas mãos do observador torna-se um lembrete físico e inevitável. Palmares nos convida a mergulhar nossas mãos nessa história, reconhecendo que a responsabilidade não se encerra na consciência, mas exige uma postura ativa e o compromisso de jamais esquecer daqueles que carregam em sua pele e sua alma as marcas do racismo. A obra é, assim, um chamado à construção de um quilombo de memória e reparação.

Complementando esse gesto de enfrentamento, “Ubuntu” apresenta-se como uma intervenção artística singular que desafia o espectador a confrontar sua própria responsabilidade diante das injustiças sociais. Materializa-se em um lenço umedecido, excepcionalmente tingido de preto — um objeto cotidiano transformado em catalisador de consciência.

O título evoca a filosofia africana que ressoa “Eu sou porque nós somos”, sublinhando a interconexão fundamental da humanidade. Entretanto, a escolha do objeto – um lenço – é uma ironia cortante: tradicionalmente usado para “limpar” ou “higienizar”, aqui o lenço preto subverte essa função, trazendo consciência de que não podemos “lavar as mãos” diante de questões coletivas.

A proposta da artista é clara: este lenço não oferece absolvição. Ele não permite que o observador se desfaça da mancha da omissão ou da indiferença. Em vez de instrumento de limpeza, torna-se espelho da consciência. Ubuntu é um chamado direto à ação, uma provocação à complacência, lembrando-nos de que nossa humanidade está intrinsecamente ligada à responsabilidade que assumimos — ou deixamos de assumir — pelo bem-estar do outro. A obra nos obriga a reconhecer que, no grande tecido da existência, a inação também é uma forma de intervenção, e que a verdadeira limpeza não se faz com água e sabão, mas com engajamento e solidariedade.

Juntas, as duas peças formam um díptico de diálogo e tensão: Palmares confronta o esquecimento, enquanto Ubuntu convoca à ação. Ambas nos lembram que a reparação não é apenas um gesto simbólico, mas uma prática contínua de reconhecimento, justiça e humanidade compartilhada.

Série

Ciclos de Exploração

Informação adicional

Peso 2 kg
Dimensões 51 × 31 × 12 cm
Ano

2025

Técnica

Desenho a partir da Ablação do Papel Carbono

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